15 maio 2016

Superação: Catador de lixo montou templo onde é pastor

Numa casa simples do Jardim Brasil, na periferia da zona norte da cidade, Ezequiel Gomes, 49, acorda com um leve toque na porta, s 6h. Sua me entra no quarto e arruma o terno do filho sobre a cama. Naquele domingo, ele o pastor Ezequiel. Durante a semana, exerce seu outro ofcio, o de catador de lixo para reciclagem, em uma jornada de 15 horas dirias de trabalho nas ruas. Admirado pelo bom humor e superao fsica –perdeu o brao direito h 11 anos–, ele percorre as ladeiras da Vila Guilherme Alta retribuindo acenos e sorrisos. A coleta tem ritmo forte, quase sem pausas. Ezequiel est h quinze anos na profisso. Antes, teve carteira assinada como segurana e ajudante de pedreiro. poca, seu vigor fsico j impressionava os colegas de obras. Hoje, mesmo franzino e deficiente, diz carregar at meia tonelada de material –dividida em trs carrinhos. “Aprendi a usar cada msculo de meu corpo e a fora das coxas e do peito”, afirma. Com habilidade, usa o brao esquerdo e os dentes para fechar sacos e dar ns nas cordas da carga. “Fao o servio que ningum quer, acho que j acabei com muito foco de dengue”, diz. Sua renda a mais alta da famlia, de nove pessoas. “No tenho diverso maior do que encher a geladeira de casa.” Abraou a religio aps uma juventude marcada por delitos que o levaram priso. “Foram drogas e outras bobagens, mas foi preso que conheci a palavra de Deus, a minha misso.” Ele mesmo mobiliou o templo em que prega, a Assembleia de Deus do Parque Edu Chaves. Com uma renda de cerca de R$ 1.000 bem administrada, o catador conseguiu comprar bancos, filtro d’gua e at uma bateria para acompanhar o ritmo dos cultos. Todo domingo, cerca de 40 fiis ouvem suas mensagens de esperana. “Cresci num bairro em que muita gente se desgarrou, mas no podemos ceder tristeza”, diz. Sua a fisionomia muda quando comenta a perda do brao aps um acidente com um carrinho de entulho, em 2005. Para ele, a amputao foi desnecessria e, h nove anos, move ao judicial alegando erro mdico no atendimento feito em um hospital pblico da capital. Segundo Ezequiel, o plantonista “apenas aplicou uma injeo antitetnica” e o dispensou. Com fortes dores e vrias idas e vindas a outras unidades hospitalares, finalmente recebeu o diagnstico de que no haveria recuperao. “Fiquei triste, mas logo esqueci a depresso e voltei a trabalhar, com alegria”, afirma. (Folha de São Paulo)

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