19 julho 2014

Prefeita de Amargosa fala em omissão e dispara: Governo tem responsabilidade

Após a noite de terror e caos instalado na cidade de Amargosa, no Recôncavo Baiano, a prefeita do município, Karina Silva (PSB), conversou com exclusividade com a reportagem do Bocão News, logo após a reunião que teve com o secretário de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP), Maurício Teles Barbosa. "Lamentavelmente, isso aconteceu. Precisou ocorrer um fato deste porte para que os olhos do Estado se voltassem para o município", desabafou a gestora, que afirmou ter feito as solicitações preventivas ao secretário. "Estas solicitações vêm sendo feitas desde o início da minha gestão. Era urgente o aumento de efetivo dos policiais diante dos assaltos a bancos que ficaram muito fortes em Amargosa", revelou Karina Silva. Segundo ela, há 60 dias houve uma guerra de tráfico na cidade. "Agora isso culminou. Era um fato pré-anunciado". Para a socialista, a população de quase 40 mil habitantes não tem como ser atendida pelo efeitvo atual. De acordo com a prefeita,  há apenas quatro policiais e uma viatura para atender toda a população. Com relação ao esquema de segurança que será mantido na cidade após o ocorrido, a prefeita pontuou que o reforço policial ficará até que a ordem se estabeleça no município. "Precisamos realmente de um esforço do Estado. A segurança pública tem deixado o país inteiro de uma forma complicada. A gente precisa de policiais. Hoje, temos este déficit e não podemos fazer segurança de qualquer jeito, como hoje é feita. Isso é inadimissível", criticou. Já sobre as solicitações feitas no passado ao Governo do Estado, Karina Silva disse que, desta vez, o secretário se comprometeu a atendê-las. "Não temos condições de ter uma zona rural sem viatura. A ideia hoje é ajudar a população, mas sozinhos não podemos fazer", disse.
Sobre o momento do caos, a prefeita contou que soube através da população que uma criança havia sido baleada. "Sei a mesma coisa que vocês. Que dois policiais perseguiam um rapaz que adentrou uma casa e uma criança foi atingida. Não sabemos ainda se o tiro partiu da arma do policial". Ainda de acordo com a gestora, assim que a manifestaçãso começou por conta da morte do bebê o reforço policial foi acionado. "Quando soube que havia atos de vandalismo entrei imediatamente em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia. Eles (os manifestantes) interditaram uma das principais vias de acesso ao município e aí tivemos diversos episódios de vandalismo", relatou, informando que 16 presos foram libertados.

Para ela, o mais importante agora é reestabelecer a delegacia. "Isso é urgente porque ela foi toda destruída e quebrada, além de terem ateado fogo. Precisamos agora de um espaço para que funcione como a delegacia. Paralelo a isso, fica todo efetivo de reforço até que tenhamos uma sensação de tranquilidade e o secretário garantiu a permanência dos policiais", frisou. Segundo Karina Silva, ficou prometido pelo secretário adiantar um pedido que foi feito ano passado. "Ele disse que deve providenciar o Complexo Policial. No ano passado estive com o secretário e ele me fez este anúncio e vínhamos cobrando insistetemente, porque a estrutura que temos aqui é precária. Ele disse que vai resolver apenas umas pendências e que as obras devem iniciar no final deste ano", afirmou. Quando questionada sobre de quem é a culpa, Karina tentou desconversar e não apontar o dedo, entretanto, mirou mais uma vez no Governo. "Não culpo ninguém, mas o governo tem responsabiliade porque tem acesso às informações e fazem o acompanhamento e monitoramento de tudo. A criminalidade aumentou muito em função da questão das drogas. Já fui à SSP diversas vezes e já tinha falado, já vínhamos sinalizando e nada foi feito. O Estado não voltou os olhos pra cá e de alguma forma foi omisso. Eu só sei que minha consciência está tranquila porque fizemos tudo o que poderíamos fazer", atestou.

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