15 maio 2013

"Eu me sinto mais confortável de saia", diz calouro da USP vítima de preconceito

Em 24 de abril, o calouro do curso de têxtil e moda da USP Vitor Pereira, 20, vestiu uma saia e foi à aula, no campus da zona leste de São Paulo. Ao vivo, recebeu alguns elogios e outros "olhares estranhos". Na internet, porém, foi alvo de críticas e preconceito, e recebeu ofensas anônimas no Facebook. Ele então decidiu criar uma página na rede social --chamada "Homens de saia"-- para defender o uso da peça por ambos os gêneros. Agora, o movimento sai do espaço virtual para ganhar as universidades. Eventos criados no Facebook em diferentes universidades dão apoio à causa de Vitor e incentivam a quebra dos padrões. Há protestos agendados em diversos campi da USP, como o do largo São Francisco (centro de São Paulo). No evento "USP de saia!", marcado para esta quinta-feira (16) na Cidade Universitária (zona oeste), mais de 2.500 pessoas confirmaram presença. "Cansei de me enquadrar em nomes, ideologias e coisas. Eu quero que as pessoas repensem o que a sociedade impõe a elas. Eu me sinto mais confortável usando saia do que um par de calças", desabafa o jovem. Já a manifestação agendada em São Carlos foi divulgada, inclusive, no perfil de Laerte Coutinho, cartunista e ativista. "Eu fiquei muito feliz, não esperava nem um terço da repercussão", comemora Vitor.
"Eu me sinto mais confortável de saia", diz calouro da USP vítima de preconceito
USP DE SAIA! 
O estudante de educação física Diego Santos, 26, é um dos responsáveis pela organização do "USP de saia!", junto a outros três jovens --que não se conhecem pessoalmente. "Apesar desse movimento ter surgido em um grupo LGBT da USP, ele vai além disso. É uma discussão de padrão de gênero. Por que homem não pode usar saia, sendo que isso é normal em outras culturas?", indaga. Os organizadores pedem para que os estudantes saiam de casa usando a peça (no caso das mulheres, qualquer outro tipo de transgressão é válida, como gravatas e afins), para verificar a reação das pessoas na cidade. Na USP, pretendem fazer discussões sobre o tema. Apesar do número de confirmados no evento ser satisfatório, o jovem Fernando Pereira, 17, calouro de engenharia e um dos organizadores do protesto, sabe que a realidade pode ser diferente. "A gente espera que vá bastante gente, mas muitos confirmados só colocam que vão para apoiar a causa." Mesmo assim, o saldo já é considerado positivo. "Em educação física, que é um curso considerado machista, as pessoas estão aderindo. O capitão do time de vôlei planeja um treino com saias", conta Diego. (Folha)

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