13 janeiro 2013

Presos são algemados em roda de moto em delegacia provisória


Presos algemados em grades e rodas de motocicletas. Assim era a situação da 5ª Delegacia Regional da Polícia Civil em Palmeira dos Índios, a 135 km de Maceió até a última quinta-feira. O fato foi denunciado neste sábado pelo Sindicato de Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) e encaminhado ao Ministério Público e à Justiça. "Os presos estão numa situação sub-humana, amarrados em correntes, algemados em rodas; e os que estão no xadrez estão ainda piores, colocaram uma madeira fechando o buraco de uma fossa (dentro da cela)", descreve o vice-presidente do Sindpol, Edeilto Gomes. "Nenhum ser humano merece estar nessa situação", diz.
Presos são algemados em roda de moto em delegacia provisória
Delegacia em Palmeira dos Índios (AL) não tem celas para todos os detidos
Os cerca de 20 detidos estão misturados entre homens e mulheres no mesmo espaço. São pessoas que vêm não só da cidade, mas de municípios vizinhos como Quebrangulo, Tangue D'água e Coité de Noia, de acordo com o sindicato. Segundo a assessoria da Polícia Civil, na sexta-feira foram concedidas 20 vagas no sistema prisional do Estado e foi autorizada a remoção dos presos de Palmeira dos Índios. Porém na data o sistema da PC ficou fora do ar e não foi possível fazer a identificação criminal, o que adiou a transferência, agora prevista para no máximo terça-feira. Segundo o diretor geral da PC, Paulo Cerqueira, os presos irão para o presídio de Arapiraca.
Além da situação dos presos, a infraestrutura da delegacia é precária em outros aspectos, de acordo com a denúncia do Sindpol. Há relatos e fotos de fiação elétrica exposta, móveis deteriorados e armazenamento de água em local impróprio.
O problema estaria, segundo a PC, no fato de a 5ª DRP estar instalada em um endereço provisório. O sindicato calcula que a mudança para o atual local deu-se a cerca de seis a oito meses, e que o lugar anterior era "ainda pior". "A casa atual foi adaptada", resume Gomes.
O sindicato afirma que tenta aprovar junto ao governo um projeto semelhante ao da vizinha Arapiraca. "No mesmo local funcionaria uma casa de custódia, onde ficariam os presos, e então a delegacia não teria o cárcere, permitindo que os policiais pudessem exercer a sua função, que é de investigar, acionar as pessoas para serem ouvidas", afirma o vice-presidente do Sindpol. "O policial hoje praticamente não tem condições de sair da DRP porque tem que ficar tomando conta de presos", continua.
De acordo com a assessoria da PC, existem projetos para melhorias em delegacias na capital e no interior do Estado. Mas os detalhes - e mesmo a informação sobre Palmeira dos Índios estar na lista - não foram disponibilizados ao Terra.
"Cobram tanto dos policiais civis para que ajam dentro dos princípios de direitos humanos e o Estado nos força a trabalhar contrariando esses princípios", critica. "Se o policial na delegacia é obrigado a tratar o preso daquela forma, na rua ele vai tratar o cidadão como?", finaliza Gomes.

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