08 dezembro 2012

Com doença auto-imune, mulher tatua cabelos na cabeça


Cansada de usar lenços e chapéus para esconder a falta de cabelos por conta de uma doença auto-imune, Alzira Cristian Meira Ramos, 50 anos, moradora do município de Ibitinga, localizada a 360 km de São Paulo, decidiu tomar uma atitude drástica e permanente. Ela sofre de lúpus sistêmico que, em seu caso, ataca a pele e os cabelos. Após pensar bastante no caso, ela tomou coragem e decidiu fazer uma tatuagem na cabeça, como se cabelos naturais estivessem saindo de seu couro cabeludo.
“Sempre usei lenço, chapéus e cansei. Fiz essa tatuagem em julho deste ano. Tinha visto uma modelo que havia feito com rena e mostrei a foto para o Ximba (tatuador), que fez a tatuagem ficar perfeita. Amei o resultado. Melhorou 70% minha auto-estima. Quando você sai careca na rua as pessoas têm preconceito, mas assim todo mundo acha lindo”, afirmou Alzira.
Com doença auto-imune, mulher tatua cabelos na cabeça
O autor da obra de arte foi o tatuador Leandro Manchini de Souza Lima, 30 anos, no ramo há nove anos. Apelidado de Ximbica, ele possui um estúdio chamado Ximba Tattoo e admitiu que foi o trabalho mais diferente que já fez em toda sua carreira.
“Foi difícil por um lado porque foi muito trabalhoso, demorado. Foram quatro horas para riscar o desenho e outras seis horas para pintar. Ela quis fazer em duas sessões, foi muito corajosa”, afirmou Leandro, ressaltando que o lado sentimental da história faz com que a tatuagem se torne ainda mais dolorosa.
“Ela estava bem sensível e chorou um pouco durante as sessões. Ela estava bem pra baixo e hoje você vê que ela mudou totalmente o jeito de ser. Onde ela vai, chama atenção, ainda mais em uma cidade pequena como essa”, completou o tatuador.
Leandro afirmou ainda que chegou a duvidar que Alzira fosse fazer a tatuagem, mas que ficou surpreso quando ela confirmou a presença. “A princípio fiquei meio em dúvida, não botei muita fé. Por ela ser mais velha e pelo lugar que era (cabeça), um lugar bem sensível e por já estar sensível por conta da doença. Mas quando ela confirmou e marcou horário vi que era sério e me comprometi. Gostei muito de fazer, não pela parte profissional, mas por poder ajudá-la”.
Alzira disse que espera que isso sirva de incentivo para que outras pessoas façam o mesmo e gostaria de poder visitar os que possuem a mesma doença para mostrar o trabalho. “Conversei com um sobrinho meu e ele disse que eu deveria visitar outras pessoas. Tudo tem solução na vida. Fiz por problema de saúde e adorei e acho que as pessoas deveriam fazer também. O problema é que Ibitinga é muito longe e eu não posso tomar sol, por isso nunca visitei outras pessoas que sofrem com isso”.
Para ela, a tatuagem além de aumentar sua auto-estima, fez também com que sua feminilidade fosse recuperada. “Para uma mulher, perder o cabelo é como perder a feminilidade. Consegui recuperar um pouco disso, agora é menos dolorido. Fiquei exótica”, completou, aos risos.

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